A falta de financiamento para os chamados mega-projetos moçambicanos, como a barragem de M’panda Nkua, devido à atual crise de crédito global, é hoje o "maior risco para o crescimento da economia moçambicana", segundo os economistas do BPI.

Entre os projetos em causa, frisa o banco no relatório periódico sobre a atividade econômica em Moçambique, estão M’panda Nkua, que deveria iniciar no início de 2009, e a extensão da rede elétrica em 1,4 mil quilômetros, além da expansão da capacidade produtiva da hidrelétrica de Cahora Bassa, que implica um investimento de US$ 1 bilhão.

"Os projetos que deverão ser levados avante serão aqueles que já se encontram em execução ou que possuam financiamento assegurado", como os de construção de um oleoduto entre o porto de Maputo e a África do Sul, além da expansão do gasoduto existente entre os dois países.

Bem encaminhado, aponta o relatório, estão também os projetos para construção de uma mina de carvão em Moatize, avaliado em US$ 1,5 bilhão já com perto de US$ 250 milhões investidos pela empresa responsável, a brasileira Companhia Vale do Rio Doce.

Em dúvida está a construção de outra siderurgia em Maputo, cujo investimento seria de US$ 2 bilhões e de "vários projetos de extração mineira liderados por empresas de menor dimensão, devido à sua situação mais vulnerável".

Crescimento

Estão praticamente suspensos os aportes no projeto de extração de titânio de areias pesadas, "devido a dúvidas quanto à sua viabilidade econômica", e também no de construção de uma refinaria pela multinacional Arcelor Mittal.

Apesar deste cenário, indica o BPI, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) moçambicano acelerou 2,1 pontos percentuais no segundo trimestre do ano passado, para 5,3%, de acordo com os últimos números disponíveis.

Em relação aos preços, a tendência é de subida, com a taxa de inflação situando-se nos 15,26% em outubro, após ter chegado a 16% em setembro.

"Esta tendência de aceleração dos preços deve-se na maior parte ao aumento do preço dos bens alimentares", afirma o BPI, que espera uma redução da inflação, dada a "queda acentuada dos preços energéticos e alimentares nos mercados internacionais", relacionada com a crise global.

Crédito

"Fatores específicos a Moçambique farão com que esta desaceleração não seja demasiado pronunciada. A manutenção de um ritmo de crescimento elevado implica uma procura interna dinâmica, que face às restrições do lado da oferta provoca pressão sobre os preços", afirma o BPI.

Para os economistas do banco português, que em Moçambique é um dos principais acionistas do BCI Fomento, o cenário de recessão global não deverá ter efeitos significativos sobre o investimento no país.

"Apesar de não se encontrar imune a esta conjuntura, Moçambique reúne condições para continuar a atrair IDE. Sendo um exemplo bem sucedido de estabilização política e social no período pós-guerra, continuará a gozar do apoio externo através de donativos internacionais, o que se traduz numa garantia de estabilidade para os investidores internacionais", indica o relatório.

"A dinâmica da demanda interna, que garante um crescimento acelerado da economia, é outro dos fatores que fará com que os investidores continuem a privilegiar Moçambique como destino de investimento", conclui.
Fonte: Padrão